Silagem para a seca começa a ser planejada durante as águas
Dimensionar a reserva de alimento e cuidar da colheita, da compactação e da vedação ajuda a reduzir desperdícios na alimentação do rebanho
Por Redação
Compactação e vedação adequadas ajudam a conservar a silagem e reduzir perdas na alimentação do rebanho. | Fonte da imagem: Revista Cultivar
Garantir alimento para o gado durante a seca exige decisões tomadas enquanto há condições de produzir e armazenar forragem. A silagem é uma das alternativas para atravessar os períodos de menor disponibilidade de pasto, mas sua eficiência depende de planejamento desde a lavoura até o fornecimento aos animais.
A técnica conserva plantas forrageiras por meio da fermentação em ambiente sem oxigênio. Para isso, o material é cortado, picado, compactado e vedado em silos. Quando bem executado, o processo permite guardar alimento para uso posterior, preservando parte importante de seu valor nutritivo.
Quanto alimento será necessário?
Antes de definir a área de plantio ou o tamanho do silo, o produtor precisa estimar a demanda do rebanho. Segundo orientações da Embrapa, três informações são essenciais: o número de animais que receberão silagem, a quantidade fornecida diariamente por cabeça e a duração do período de alimentação.
Esse cálculo orienta a estrutura de armazenamento e evita que o silo seja dimensionado apenas pelo espaço disponível na propriedade. A quantidade oferecida por animal deve acompanhar a categoria e o planejamento nutricional do lote.
O formato do silo também interfere no aproveitamento. Depois da abertura, a retirada precisa renovar regularmente a face exposta ao ar, conhecida como painel. Uma estrutura incompatível com o consumo diário pode deixar alimento exposto por tempo excessivo e favorecer a deterioração.
Escolha da cultura vai além da produtividade
Milho e sorgo estão entre as culturas utilizadas para ensilagem. Capins também podem compor a reserva, mas apresentam características diferentes de umidade, fermentação e valor nutritivo.
A decisão deve considerar as condições da propriedade e a finalidade do alimento. Uma silagem com menor custo de produção não necessariamente resulta em alimentação mais econômica, pois sua composição pode exigir maior complementação na dieta.
Ponto de colheita interfere na conservação
Colher no momento adequado é uma etapa decisiva. O teor de matéria seca, que corresponde à parte do alimento sem água, influencia tanto a fermentação quanto a compactação.
Material excessivamente úmido pode perder nutrientes pelo líquido que escorre do silo e apresentar fermentações indesejáveis. Quando está seco demais, a compactação se torna mais difícil, aumentando a presença de ar na massa armazenada. Por isso, o ponto de corte deve ser acompanhado conforme a cultura utilizada.
Compactação e vedação protegem o investimento
A organização da colheita precisa estar alinhada à capacidade de transporte, enchimento e fechamento do silo. A compactação reduz os espaços com ar, enquanto a vedação limita a entrada de oxigênio durante o armazenamento.
Falhas nessas operações comprometem a conservação. A presença de mofo pode indicar problemas de compactação ou vedação e exige avaliação do material. Produzir grande volume, portanto, não basta: é necessário conservar alimento que possa ser efetivamente utilizado pelo rebanho.
Cuidado continua depois da abertura
O manejo diário também faz parte do resultado. A retirada deve acompanhar o consumo dos animais, evitando deixar massa remexida exposta para o dia seguinte. No cocho, o fornecimento precisa ser ajustado para reduzir sobras e desperdícios.
Planejar a silagem durante as águas permite organizar lavoura, equipamentos, mão de obra e armazenamento antes da escassez de pasto. O objetivo é chegar à seca com uma reserva dimensionada para o rebanho e com qualidade compatível com as necessidades da produção.