O Brasil encerrou mais uma safra de elevada produção de grãos. Para o produtor, porém, o volume colhido não é sinônimo automático de rentabilidade. Com a temporada 2026/27 avançando no calendário agrícola, eficiência dos investimentos, retorno por hectare e proteção do potencial produtivo ganham espaço nas decisões que orientam o plantio.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a produção pode chegar a 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, crescimento de 1,4% em relação à temporada anterior. A área semeada deve alcançar 85,3 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional é estimada em 4.296 quilos por hectare, ante 4.335 kg/ha em 2025/26. O cenário combina expansão da área cultivada e manutenção da produção em patamar elevado, ao mesmo tempo que reforça a importância da eficiência na alocação dos recursos ao longo da temporada.
Os números mostram um setor capaz de manter volumes elevados, mas a equação econômica para o próximo ciclo envolve outras variáveis, como condições de crédito, custos de produção, preços das commodities, câmbio e liquidez, que passam a ter peso ainda maior no planejamento. Na avaliação de Luiz Gustavo Moreira, gerente executivo de negócios da Ourofino Agrociência, essa preocupação já aparece nas conversas com produtores de diferentes regiões do país.
“A produtividade continua sendo fundamental, inclusive porque ajuda a diluir custos. Mas o produtor está olhando cada vez mais para o retorno de cada decisão por hectare e para a eficiência do investimento necessário para produzir mais”, afirma.
Nesse ambiente, a tendência não é necessariamente de corte generalizado de tecnologia, mas de maior seletividade. Soluções cujo benefício agronômico esteja claramente relacionado aos desafios de cada propriedade tendem a ser preservadas, principalmente quando contribuem para proteger o potencial produtivo ou reduzir riscos já conhecidos no campo. “Em outras palavras, o produtor rural pode estar menos inclinado a investir naquilo em que não percebe valor, mas continua disposto a preservar o que considera determinante para o resultado da lavoura”, explica Luiz Gustavo.
A mudança também exige atenção à forma como os custos são analisados. Considerar isoladamente o preço de um insumo pode levar a economias imediatas que comprometem o desempenho da lavoura ou reduzem as alternativas de manejo ao longo da temporada.