O aparecimento das primeiras folhas verdes após a seca não significa que a pastagem já recuperou sua capacidade de alimentar o rebanho. Na transição para a estação chuvosa, o manejo precisa acompanhar o desenvolvimento das plantas para evitar que o consumo dos novos brotos prejudique a recuperação do capim.
Uma publicação técnica da Embrapa, de autoria do pesquisador Bruno Carneiro e Pedreira, explica que as forrageiras utilizam suas reservas para sobreviver durante o período de restrição de água. Com as primeiras chuvas, as folhas novas ajudam a restabelecer a fotossíntese e a recompor essas reservas. Por isso, essa fase exige ajuste no pastejo.
O cuidado tem importância para toda a temporada. Segundo a mesma publicação, a estação das águas pode concentrar entre 60% e 80% da produção anual de uma forrageira, dependendo das condições ambientais. Aproveitar esse potencial exige observar mais do que a mudança de cor da paisagem.
Altura e quantidade de folhas orientam o manejo
Entre os critérios para avaliar a utilização da pastagem estão a altura do capim, a densidade de plantas e a quantidade de folhas disponíveis. A plataforma Ater+ Digital, da Embrapa, destaca que a altura pode funcionar como uma medida indireta da oferta de forragem, desde que essas outras condições também sejam consideradas.
O controle da entrada e da saída dos animais permite ajustar o uso da área. Já a lotação adequada, associada ao manejo da altura e da fertilidade do solo, ajuda a evitar o superpastejo, situação em que a intensidade de consumo compromete a manutenção da pastagem.