Nova safra começa com expectativa alta, mas produtor precisa olhar para o céu
Goiás antecipou a semeadura da soja para a safra 2026/27, mas decisão de entrar com as máquinas depende das condições de umidade em cada região
Por Jorge Neris
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A nova safra brasileira começa com números grandes no horizonte e um velho conhecido ditando o ritmo dentro da porteira: o clima.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de grãos na safra 2026/27 poderá chegar a 366,6 milhões de toneladas. Se a projeção se confirmar, o país terá crescimento de 1,4% em relação à temporada anterior. A área cultivada também deve avançar e alcançar 85,35 milhões de hectares.
Mas, para o produtor, projeção nacional não planta lavoura.
Em Goiás, um dos principais estados produtores do país, o início dos trabalhos exige atenção às condições do solo. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alertou, em 22 de setembro, que as chuvas previstas para áreas de Goiás e Mato Grosso ainda seriam insuficientes para uma recuperação consistente da umidade do solo.
Pancadas isoladas podem até melhorar momentaneamente as condições para a semeadura, mas não significam necessariamente água suficiente para garantir germinação, emergência e bom estabelecimento das plantas. Segundo o Inmet, frequência e distribuição das chuvas serão tão importantes quanto o volume acumulado neste começo de ciclo.
Goiás entra em campo
A soja ganha atenção especial neste momento. Para a safra 2026/27, Goiás autorizou excepcionalmente a antecipação do início da semeadura para 20 de setembro, cinco dias antes do calendário anteriormente previsto. A mudança atendeu a uma demanda de entidades representativas do setor.
A antecipação, entretanto, não significa que plantar primeiro será necessariamente a melhor decisão em todas as propriedades.
Com níveis reduzidos de armazenamento de água no solo em algumas regiões, acompanhar as condições locais e as previsões meteorológicas passa a ser parte importante do planejamento. O risco é iniciar a semeadura após uma chuva isolada e não haver continuidade de precipitações suficiente para o desenvolvimento inicial da cultura.
Safra maior no radar
No cenário nacional, a Conab trabalha com perspectiva de crescimento da produção mesmo diante de uma projeção de produtividade média ligeiramente menor. O avanço da área cultivada, especialmente do milho primeira safra, está entre os fatores que sustentam a expectativa para o novo ciclo.
A temporada também começa em um ambiente no qual planejamento financeiro, custo dos insumos, crédito, preços das commodities e comportamento do clima estarão cada vez mais conectados.
Para quem está no campo, portanto, o tamanho da próxima safra brasileira será conhecido somente daqui a alguns meses. Neste momento, a decisão mais importante acontece muito antes da colheita.
Ela começa olhando o solo, as contas e, principalmente, o céu.