Mercado de cavalos ganha força e movimenta negócios no campo
Com mais de 5,7 milhões de animais no país, equinocultura reúne criadores, veterinários, competidores e uma cadeia que vai da reprodução à alimentação, eventos e comercialização
Por Jorge Neris
Quem olha para um cavalo em uma pista, exposição ou propriedade rural nem sempre enxerga tudo o que existe ao redor daquele animal.
Antes de chegar a uma competição, leilão ou exposição, há uma cadeia que passa por criação, genética, reprodução, alimentação, sanidade, medicamentos, ferrageamento, treinamento, transporte, equipamentos e mão de obra especializada.
É por isso que falar de cavalos também é falar de negócio no campo.
O Brasil possui 5,7 milhões de equinos, segundo os dados mais recentes da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, referentes a 2024. Goiás aparece com aproximadamente 370 mil animais.
Os números ajudam a dimensionar uma atividade que vai muito além da utilização tradicional do cavalo nas propriedades rurais.
Da fazenda para as pistas
O crescimento dos esportes equestres é uma das faces mais visíveis dessa transformação.
Somente o Quarto de Milha reúne atualmente cerca de 740 mil animais registrados no Brasil, 166 mil proprietários, 64 mil criadores e mais de 57 mil associados à Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). A raça participa de 22 modalidades esportivas e de aproximadamente 800 provas oficializadas em 23 estados.
No Campeonato Nacional da raça realizado neste ano, foram mais de 10 mil inscrições, com 3.204 animais e 1.812 competidores. Goiás esteve entre os 20 estados representados na competição.
É uma movimentação que gera demanda por treinadores, veterinários, tratadores, ferradores, transportadores, centros de treinamento, fabricantes de equipamentos, empresas de nutrição animal e uma extensa rede de fornecedores.
Genética também virou patrimônio
Outra frente importante está dentro dos criatórios.
Seleção genética, reprodução assistida, avaliação de desempenho e histórico dos animais passaram a ter peso cada vez maior na formação dos plantéis e também no valor comercial dos cavalos.
Em agosto, um evento dedicado ao Mangalarga Marchador realizado no Parque Agropecuário de Goiânia reuniu, segundo a organização, cerca de 130 animais avaliados em aproximadamente R$ 30 milhões. Alguns exemplares tinham avaliações superiores a R$ 1 milhão.
Os valores de eventos específicos não representam todo o mercado equino, mas ajudam a mostrar como determinados segmentos de genética e seleção alcançaram alto grau de valorização.
Profissionalização é o próximo passo
Quanto mais o setor cresce, maior também é a necessidade de gestão.
Em maio deste ano, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) promoveu um evento dedicado justamente ao panorama do mercado equino brasileiro, discutindo dimensão econômica, organização da cadeia, desafios e oportunidades de profissionalização.
Sanidade e bem-estar também fazem parte dessa evolução. O Ministério da Agricultura mantém orientações específicas sobre boas práticas de manejo de equídeos, incluindo relação humano-animal, treinamento, transporte e outros cuidados.
O cavalo continua carregando tradição e uma ligação histórica com o campo brasileiro. Mas ao redor dele existe hoje uma atividade econômica diversificada e cada vez mais especializada.
Da genética ao esporte, da alimentação ao treinamento, da fazenda ao leilão, há uma cadeia inteira em movimento.
E Goiás está dentro dela.
Fontes: IBGE, Ministério da Agricultura e Pecuária, ABQM e Esalq/USP.