Brasil amplia rebanhos de caprinos e ovinos, com avanço concentrado no Nordeste
Região reúne 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos do país; expansão abre oportunidades, mas exige planejamento e organização dos produtores
Por Redação
Nordeste concentra 96,6% do rebanho caprino brasileiro, que alcançou 13,52 milhões de animais em 2025.Foto: Adilson Nóbrega
O Brasil encerrou 2025 com 22,31 milhões de ovinos e 13,52 milhões de caprinos, consolidando a trajetória de crescimento da criação de pequenos ruminantes. O avanço foi puxado pelo Nordeste, que ampliou sua participação nos rebanhos nacionais, enquanto outras regiões registraram estabilidade ou retração.
Os dados integram o Boletim nº 33 do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM), da Embrapa. Elaborada pelo pesquisador Klinger Magalhães, a análise utiliza informações da Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, do IBGE.
Na comparação com 2024, o rebanho ovino cresceu 1,55%, com acréscimo de 341,2 mil animais. Entre os caprinos, a alta foi de 1,2%, equivalente a 158,3 mil cabeças.
Segundo Magalhães, a maior atuação de frigoríficos e abatedouros tem estimulado os criadores de ovinos a ampliar a produção para atender ao mercado formal.
Nordeste amplia participação
A região concentra 13,07 milhões de caprinos, correspondentes a 96,6% do total brasileiro. Foi também a única a registrar crescimento nessa atividade entre 2024 e 2025, com alta de 1,4%. No Centro-Oeste, o efetivo caprino caiu 10,5%.
Na ovinocultura, o Nordeste chegou a 16,9 milhões de animais, expansão de 4,4%, passando a responder por 75,8% do rebanho nacional.
O Sul, segundo maior polo de criação de ovinos, registrou queda de 8,6%, ficando com 3,49 milhões de cabeças. O Centro-Oeste manteve estabilidade, com 763,6 mil animais, enquanto Norte e Sudeste apresentaram retrações de 3,3% e 4,8%, respectivamente.
Para Magalhães, a concentração nordestina representa uma oportunidade para fornecer animais e material genético a outras regiões. Ao mesmo tempo, pode indicar perda de interesse pela atividade em áreas onde os rebanhos estão diminuindo.
O pesquisador ressalta que o tamanho dos plantéis precisa ser acompanhado por investimentos em melhoramento genético e especialização da produção.
Mercado exige regularidade e padronização
O boletim aponta oportunidades para carnes e derivados de leite de caprinos e ovinos, como queijos e iogurtes. Também identifica espaço para ampliar a oferta de carne caprina em restaurantes de padrão elevado nas regiões Sul e Sudeste.
A organização dos produtores já apresenta resultados em alguns estados. Na Paraíba e em Pernambuco, Magalhães destaca a especialização na produção de leite e queijo de cabra. No Piauí, cooperativas de criadores de ovinos têm conseguido fornecer animais para frigoríficos e abatedouros formais.
Apesar da expansão, a análise indica que a oferta ainda enfrenta dificuldades para atender continuamente às exigências de volume e padronização do mercado.
Entre as prioridades estão capacitação técnica, adoção de tecnologias de manejo e fortalecimento de associações e cooperativas. A aproximação com compradores também é considerada essencial para organizar a produção e acompanhar custos e rentabilidade.
Planejamento para enfrentar a estiagem
O aumento dos gastos com ração, medicamentos e combustíveis está entre os entraves apontados pelo levantamento. Perdas provocadas por predadores e roubos de animais também pressionam o resultado das propriedades.
Diante dos riscos de escassez de água e alimento, Magalhães recomenda planejamento antecipado. Entre as alternativas citadas estão o uso de forrageiras resistentes à seca, produção de silagem, construção de barragens subterrâneas e elaboração de um orçamento forrageiro, que permita adequar o rebanho à disponibilidade de alimentação.
O descarte orientado de animais menos produtivos ou com problemas de saúde antes da estiagem também é apontado como medida para ajustar a demanda do plantel aos recursos disponíveis.
Bahia lidera os dois rebanhos
A Bahia mantém a liderança nacional, com 5,99 milhões de ovinos e 4,69 milhões de caprinos. Pernambuco ocupa a segunda posição nas duas atividades, reunindo 3,86 milhões de ovinos e 3,27 milhões de caprinos.
Na caprinocultura, o Piauí aparece em terceiro lugar, com 2,09 milhões de animais. Juntos, os três estados concentram 74,4% do rebanho caprino brasileiro.
Entre os municípios, Casa Nova, na Bahia, lidera nas duas espécies: são 810,2 mil caprinos e 713,5 mil ovinos, com crescimento de 3,9% e 5,5%, respectivamente.
O levantamento também evidencia a perda de participação de polos tradicionais do Sul. Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, passou da segunda posição nacional na criação de ovinos, em 2019, para a oitava em 2025, com 264,1 mil animais.