O preço do boi gordo está firme, mas é o bezerro que vem chamando atenção dentro da porteira. A valorização dos animais de reposição ganhou força e mudou uma das contas mais importantes da pecuária de corte: quantas arrobas o produtor precisa vender para colocar um novo animal no rebanho.
Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o bezerro acumulou valorização real próxima de 14%, enquanto o boi gordo avançou cerca de 11%. O movimento parece pequeno quando observado apenas em pontos percentuais, mas produz um efeito direto sobre a margem de quem compra animais para recria e terminação.
Na parcial de setembro, até o dia 22, foram necessárias 9,7 arrobas de boi gordo paulista para adquirir um bezerro sul-mato-grossense. É a relação de troca mais desfavorável desde outubro de 2021, quando eram necessárias 10,27 arrobas.
Reposição ficou mais cara
O movimento é explicado principalmente pela oferta mais ajustada de animais jovens e pela demanda consistente dos compradores. A retenção de fêmeas também contribui para reduzir a disponibilidade de bezerros no mercado.
Em Mato Grosso do Sul, referência do Indicador do Bezerro Cepea/Esalq, a cotação alcançou R$ 3.414,22 por cabeça em 23 de setembro.
Em Goiás, o mercado também trabalha com preços elevados. Levantamentos de mercado mostram animais de reposição acima de R$ 3 mil e bezerros Nelore de determinadas categorias chegando à faixa de R$ 3,8 mil por cabeça.
Quem vende comemora e quem compra refaz as contas
A valorização beneficia diretamente o criador que comercializa bezerros. Para o pecuarista que está do outro lado da negociação, entretanto, o cenário exige planejamento.