A pecuária brasileira chega à reta final de 2026 com perspectivas de valorização do boi gordo, impulsionadas pela demanda interna e pelas exportações. O cenário, porém, exige atenção dos produtores. O aumento no preço dos animais de reposição e as oscilações nos custos de alimentação podem comprometer a rentabilidade, mesmo em um período de mercado aquecido.
Para o médico-veterinário, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho, o momento é favorável, mas a valorização da arroba não garante, por si só, melhores resultados financeiros.
“O mercado está favorável, mas isso não significa que o produtor possa baixar a guarda. Os custos de produção continuam oscilando e a reposição está cara. É preciso fazer contas, acompanhar o mercado e utilizar mecanismos de proteção para preservar as margens”, avalia.
A proximidade das festas de fim de ano, período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo de carne, pode contribuir para sustentar os preços em novembro e dezembro. Além da demanda doméstica, Edgard aponta as exportações como um dos principais fatores de influência sobre o valor recebido pelo pecuarista.
“O fim do ano costuma trazer um aumento no consumo, e isso favorece o mercado. Ao mesmo tempo, temos a perspectiva de ampliação das vendas internacionais, com novos mercados e a demanda de compradores tradicionais, como a China. Esses fatores podem contribuir para manter a arroba em patamares favoráveis”, explica.
A procura internacional também interfere na disponibilidade de carne para o mercado brasileiro. Entretanto, uma eventual valorização do boi gordo não significa aumento imediato e na mesma proporção para o consumidor, já que o preço nos supermercados envolve custos de processamento, transporte e comercialização.
Dentro das propriedades, a principal preocupação está na relação entre o valor de venda dos animais e as despesas necessárias para produzi-los. O preço elevado dos bezerros e dos grãos utilizados na alimentação exige atenção especial de quem trabalha com recria, engorda e confinamento.